[Resenha] Mago Mestre - Raymond E. Feist

20 de fev de 2014
Mago Mestre - Raymond E. Feist
Editora: Saída de Emergência Brasil
ISBN: 9788567296036
Ano: 2014
Páginas: 432
Classificação: 
Página do livro no Skoob
A saga épica de Midkemia continua… Passaram-se três anos desde o terrível cerco a Crydee. Os três rapazes que eram os melhores amigos do mundo encontram-se agora a quilômetros de distância. Pug, um escravo dos Tsurani, está prestes a se tornar um dos maiores magos que já existiram. Tomas, um grande guerreiro entre os elfos, arrisca-se a perder sua humanidade para a armadura encantada que veste. Arutha, príncipe de Crydee, luta desesperadamente contra invasores e traidores para salvar seu reino. Mago Mestre é recheado de aventura, emoção e ameaças tão antigas quanto o próprio tempo. Com o segundo volume de A Saga do Mago, Raymond E. Feist volta a provar que é um dos maiores nomes da literatura fantástica na atualidade.
Resenha:
Tratando-se de uma sequência, é inevitável que essa resenha contenha spoilers do primeiro livro da saga. Confira a resenha de Mago Aprendiz! Prometo fugir ao máximo de revelações inoportunas. No livro anterior, Raymond E. Feist deixou todos os leitores com o coração na mão, ansiosos e apreensivos pelo futuro de Crydee e o paradeiro de Pug. Felizmente sua narrativa continua afiada e o rumo que a estória toma em Mago Mestre é surpreendente.

Pug fora capturado durante a guerra e levado de seu mundo para Kelewan, a terra natal de seus inimigos Tsurani. Quatro anos se passaram e nada mudara, o conflito continua não resolvido e aos poucos Crydee está perdendo forças. Durante esse período Pug exercera a função de escravo nessa terra que parece não ter estações. A primeira das reviravoltas acontece quando Pug e seu amigo, Laurie, mostram-se valiosos e acabam sendo recrutados para servirem na fazenda dos Shinzawai. Se no volume anterior os Tsurani foram construídos em torno de dúvidas e mistérios, nessa sequência o autor destrinchou cada detalhe sórdido que engloba a cultura desse povo e seu mundo desconhecido. Vamos entender a política, as tradições, os seres exóticos e claro, o quão podem ser perigosos. Deixar o passado para trás é a única forma de sobreviver e evoluir, porém quando um Mago enxerga a magia dentro de Pug, e mais, enxerga o potencial ali contido, Pug se descobrirá dono de um poder avassalador. Não é possível ignorar esse fato.

Na resenha anterior mencionei a mina abandonada Mac Mordain Codal, com seu dragão cego, dono da história mais encantadora do livro, lembram? Tomas herdou uma armadura do dragão dotada do poder de um povo extinto que habitou o mundo antes de qualquer anão ou homem, os Valheru. O poder que emana da armadura está provocando mudanças nada naturais em Tomas que tiram o sono da rainha Aglaranna. Ela teme essa magia que está tomando forma pois ela pode ser responsável pelo fim de Elvandar ou pela salvação de seu povo. A nobreza presente no coração de Tomas deve sobressair-se a mancha de maldade que cresce em sua alma, seus pesadelos estão cada vez mais frequentes e uma batalha diária é travada com uma voz que invade seus pensamentos. A rainha dos elfos sabe que os habitantes de Elvandar jamais se curvarão diante um senhor novamente mas confiar em Tomas é um risco válido quando se está apaixonada...

Crydee já não goza dos recursos que possuía nove anos atrás, a guerra é uma máquina mortífera que está cansando exércitos e dizimando vidas sem dó algum. Arutha viajará rumo a Krondor em busca de reforços pois precisa de homens para lutar na próxima primavera, quando os Tsurani investirem novamente contra seu povo. Embarcando juntamente a Amos Trask e o Mestre de Caças, Martin do Arco, Arutha e sua tripulação enfrentará tempestades no Mar Amargo e nos Estreitos, muitas vezes duvidando que pudessem sair vivos daquelas águas. Sem dúvidas foram capítulos tensos e angustiantes, a fúria do mar é algo assustador. Quando atracam em Krondor se deparam com um golpe de estado e mais perigos, se não tomarem o cuidado necessário uma guerra civil eclodirá causando mais problemas.

A narrativa em terceira pessoa explora ao máximo cada ambiente apresentado na trama. E tratando-se de dois mundos distintos e em guerra, isso é ou não algo bastante positivo? A estória está dividida entre Pug, Tomas e Arutha e o autor elevou cada gancho a níveis e rumos tão surpreendentes que é impossível não se ver preso na páginas. Aqueles jovens garotos em seus primeiros contatos com a guerra não existem mais. O que vemos agora são homens fortes com seus próprios dilemas indo em busca daquilo que acreditam e crescendo a cada passagem memorável de Mago Mestre. Tomas, ao meu ver, foi o único que teve um desfecho envolvendo sua problemática, não me estenderei debatendo isso mas não creio que tenha tido um fim. Por mais intercalado que sejam as narrações, Pug rouba a cena e promete deixar qualquer leitor sem fôlego. Inenarrável os capítulos onde ele demonstra sua opinião e demonstra o poder que tem. Ele passará pela Torre da Provação enxergando a crianção de Kelewan e encontrando seu wal interior,  à margem da lei ao se descobrir um Grande, ele precisa tornar-se um tsurani de corpo e alma ou morrerá. Grandes batalhas aguardam nosso jovem mago.

Me vejo mais encantado com o gênero fantasia a cada livro lido, Crydee é tão bem retratada, tão encantadora que mesmo sendo um livro relativamente grande, a leitura flui prazerosamente e sem obstáculos. Toda a estruturação do ambiente, da época mesmo, envolvendo reis, duques, condes, os próprios conflitos políticos, as traições, os exércitos, as formalidades, é tudo viciante. Menções honrosas a Macros, o Negro, que tem grande destaque e divide com Pug os momentos de magia da trama, que inclusive, estão bem mais ressaltados.  E para Martin do Arco que encerra o segundo livro sendo um verdadeiro herói. A Saída de Emergência Brasil fez um trabalho magnífico de edição, o livro conta com um mapa de Kelewan! Um bom livro fantástico pede um mapa, certo? Aguardemos o próximo capítulo da saga épica de Midkemia...

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