[Resenha] Neuromancer - William Gibson

14 de mai de 2014
Neuromancer - William Gibson
Editora: Aleph
ISBN: ASIN:B00FSNRQOW
Ano: 2013
Páginas: 298
Classificação: 
Página do livro no Skoob / Compre!
Um hacker renegado, uma samurai das ruas, um fantasma de computador, um terrorista psíquico e um rastafari orbital num thriller sexy, violento e intrigante. De Tóquio a Istambul, das estações espaciais ao não-espaço da realidade virtual, o tenso jogo final da humanidade contra as Inteligências Artificiais...
Evoluindo de Blade Runner e antecipando Matrix, Neuromancer é o primeiro - e ainda hoje o mais famoso - livro de William Gibson. É considerado não só o romance que deu origem ao gênero cyberpunk, mas também o seu melhor representante. 
Resenha:
Case era um ladrão. Um ladrão que trabalhava para ladrões mais ricos e poderosos que forneciam o software necessário para penetrar muralhas de sistemas e campos de dados na adrenalina que era a matrix. Case fora treinado pelos melhores do negócio. Ele era um hacker. Um cowboy fora da lei. O melhor do Sprawl. Porém fora exilado após uma tentativa fracassada de passar a perna nos seus empregadores. Sua vida agora se desdobra em um vácuo sem consoles e o ciberespaço não passa de um passado distante. Seu sistema nervoso fora danificado por uma micotoxina dos tempos de guerra e seu talento implantado queimado.

Excluído e tentando sobreviver no mercado negro de Tóquio, Case encontra nas drogas sintéticas um refúgio. Um refúgio constante que passa a ser um vício durante todo enrendo. Autodestrutivo. Danificado e perdido ele se envolve em atividades criminosas que permeiam as ruas de Chiba e acaba encaixando o que bem entende na sua distorcida concepção de realidade, induzindo a cidade em peso a matá-lo quando não estiver olhando. E então ele conhece Molly, uma samurai das ruas, com seus trajes de couro, suas lâminas de bisturi embaixo das unhas e seus óculos implantados cirurgicamente. Sua salvação. Com uma proposta de corrigir o dano neural de Case, Armitage, chefe de Molly e agora seu chefe também, nosso cowboy ganha uma missão e a possibilidade de voltar à Sprawl, à Matrix.

Sem saber para quem realmente estão trabalhando, Molly e Case irão adentrar numa série de viagens no ciberespaço. Espionagens virtuais, acesso a banco de dados restritos, quebra de softwares corporativos, teorias de conspiração e invasões eletrônicas sem pudores. Não há programas ou portões que não possam serem derrubados. Mas a dúvida de quem banca toda a operação e dá ordens para Armitage guia os capítulos de início ao fim. Circuitos apagados e resquícios de uma guerra. Seria uma inteligência artificial? Qual sua motivação? Uma código, uma palavra é a resposta para tudo...

Betafenetilamina, o primeiro vírus da história cibernética, um céu programado e viagens em ônibus especiais. Neuromancer é uma overdose de informações, interligações, contextualidades, referências em uma base futurística revolucionária para a época mas levemente ultrapassado lendo-se atualmente. Nada que diminua sua influência ou importância. Lançado em 1984, a obra de Gibson deu origem a um novo gênero literário e inspirou a renomada trilogia Matrix de Wachowski. Na minha percepção, além da genialidade em que o autor prevê algumas  coisas que hoje são possíveis, o maior legado ou lição é a crítica onde mundo real e virtual coexistem sendo um só. A dificuldade em diferenciar o que é real e o que se passa apenas na matrix é visível em incontáveis momentos da narrativa.

Não sou um expert em informática, códigos e cibercultura porém nada me impediu de ler Neuromancer. O vocabulário usado é complicado e o glossário ao final do livro ajuda bastante no processo de absorver a estória. O autor usa e abusa de metáforas que requerem bons minutos de reflexão, ele não se preocupa em explicar determinados conceitos ou teorias, praticidade e obviedade guiam os capítulos do livro, deixando-o rápido e ao mesmo tempo pesado. Softwares embutidos no corpo, cyborgs, viagens no espaço e ciberespaço, tudo é muito gostoso de se descobrir e explorar. Os personagens deixam tudo mais colorido, sim, o cenário em que a estória é ambientada me pareceu sem cor, um cinza carregado. Algo noir, clássico. Culpa das drogas e crimes, talvez... Case e Molly cultivam uma sintonia que ao mesmo tempo que une, os separa. O elenco de personagens é variado, excêntrico, perigoso e super cativante. Menções honrosas a Julius Dane, assexuado e de aparência inumana com seus 135 anos de idade, Finlandês, Linda e Wintermute.

Leitura recomendada!

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