[Resenha] Destino Mortal - Suzanne Brockmann

1 de set de 2014
Destino Mortal - Suzanne Brockmann
Editora: Valentina
ISBN: 9788565859233
Ano: 2014
Páginas: 536
Classificação: 
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Expulso de um grupo de elite de forma desonrosa, o ex-Navy SEAL Shane Laughlin está com seus últimos 10 dólares no bolso quando, finalmente, consegue um emprego para participar de um programa de testes no Instituto Obermeyer (IO), uma fundação de pesquisas e desenvolvimento desconhecida do grande público e que trabalha com atividades secretas.Logo, Shane descobre que existem certos indivíduos que têm a habilidade única de conseguir acesso a regiões inexploradas do cérebro, com resultados extraordinários, incluindo telecinesia, força sobre-humana e reversão do processo de envelhecimento. Conhecidos como Maiorais, essas raras figuras são criadas ou recrutadas pelo IO, onde, rigorosamente treinadas com o auxílio de técnicas ancestrais, conseguem cultivar seus poderes e usá-los de forma responsável.
Resenha:
Sempre presei pela sinceridade e transparência em minhas resenhas. Da mesma forma que deixo bem claro os motivos que me fizeram não gostar de alguma obra, faço questão de explicar o por quê de ter morrido de amores por outra. Solicitei Destino Mortal pela curiosidade que se instalou após a leitura da sinopse porém admito que procrastinei o livro por quase um mês. Talvez a capa tenha me sugerido coisas que constantemente me afastam de certas obras e, convenhamos, não há leitor que não se assuste com mais de 550 páginas brancas. Até os acostumados com tramas extensas hão de concordar de que um livro como esse requer um tempo que muitas vezes não temos.

A sensação que me consome nesse exato momento é a de arrependimento por não ter dado uma chance mais cedo para a obra de Suzanne Brockmann. Poucas vezes afirmei isso em minhas resenhas porém não há saída: Destino Mortal foi a melhor leitura de 2014 até agora. A autora não pecou em absolutamente nada, meus olhos e mente simplesmente não detectaram um deslize ou exagero, não há o que se por ou tirar. Cada personagem é dotado de uma problemática pessoal tão interessante a ponto de você não saber quem é o protagonista. A escrita deliciosa e envolvente da autora mantém um ritmo tão frenético (incluindo os momentos de não-ação) que devorei 550 páginas em dois dias. Vocês sabem o que isso significa? Geralmente leio 300 páginas em 4 dias. Tenho convicção de que leria 30 sequências se a autora resolvesse levar a série tão longe assim.

A trama é ambientada no final do século XXI onde uma nova droga está literalmente fazendo a cabeça de seus usuários. Seu nome? Destiny. Quando bem recebida a  substância ilícita afeta uma parte do cérebro responsável pela regeneração e desenvolvimento imediato de capacidades mentais, porém a maioria das pessoas acabam com seus cérebros fritados em um surto mortal ao primeiro contato com a droga.

Diante disso temos os dois lados da moeda: O Instituto Obermeyer trabalha no rastreamento de pessoas especiais, são homens e mulheres que utilizam mais que 10% de sua capacidade mental e podem vir a desenvolver poderes e habilidades extraordinárias. A organização empenha-se no treinamento e exercício pesado para a obtenção de tais resultados além de tentar combater e socorrer os usuários de Destiny que surtam nas diversas partes da cidade. O lado corrupto e maligno do enrendo é a Organização, um grupo de alto escalão responsável pela produção e distribuição de Destiny. O interessante é que a droga é feita a partir de hormônios liberados pelo medo. Não um medo qualquer mas um medo que vêm de garotas sequestradas e mantidas em cárcere privado numa sangria mortal que envolve estupro e condições desumanas.

O Instituto Obermeyer é comandado pelo Dr. Bach, um sujeito com uma integração neural de 72%. Dá pra imaginar? O que torna a estória apaixonante são as habilidades que cada um adquire de acordo com seu nível cerebral: capacidade de cura, leitura de pensamentos, telecinesia, telepatia, poder de atração, sonhos projetados, controle do fogo. Enfim são super poderes dignos de qualquer herói de histórias em quadrinhos, filmes ou animação. É impossível não desejar ter alguma dessas habilidades em algum momento da leitura. As pessoas com integração neural super avançada recebem o nome de Maiorais e as pessoas comuns são Fragmentos ou Minorais.

Situaram-se? Pois bem. Anna Taylor teve sua irmã Nika sequestrada. A garota de 13 anos desapareceu sem deixar rastros e nenhum contato foi feito. Quando os computadores do Instituto Obermeyer detectam que Nika cultivava uma capacidade cerebral de 20% não restam dúvidas para o Dr.Bach e sua equipe. A Organização está por trás do ocorrido. Começa então uma corrida para localizar a garota e salvar não só sua vida como as de outras meninas em perigo.

Como eu disse no início dessa enorme resenha, cada personagem mantém uma problemática pessoal interessante. Shane Laughlin é um ex-tenente expulso da Marinha por desrespeitar ordens diretas de superiores, ele agora está na lista negra e impossibilitado de arranjar qualquer emprego decente. Quando um anúncio o classifica como um potencial recruta para testes de laboratório do Instituto Obermeyer, ele não pensa duas vezes em se candidatar a vaga de emprego. Afinal, eles não se importam com lista negra alguma. A grande questão é: Shane Laughlin passou a noite transando com a Maioral Michelle Mac e ela está relutantemente o evitando de todas as formas possíveis. Sabe aquele casal que a gente realmente torce? Entre tapas e beijos definiria bem esses dois. Além de serem donos de personalidades fortes e opostas, Shane e Mac me deram uma página inteirinha que marquei como quote. Se puderem dar uma observada corram para a página 306 e concordem comigo. Trata-se de um dos trechos mais lindos de todos.

Outro Maioral que me fez perder o fôlego foi Stephen Diaz. O cara simplesmente leva a regra de celibato a sério há 15 anos reprimindo uma paixão avassaladora por seu colega de trabalho, o Minoral Elliot. Vocês não tem ideia do desenrolar desse relacionamento. O erotismo está super presente na trama porém da forma mais bem colocada possível. E se essas relações íntimas potencializem os poderes neurais dos Maiorais? É lindo, excitante e de tirar o fôlego. De longe o romance gay mais original e cheio de adrenalina. O Dr. Bach se envolverá com Anna Taylor durante todo o processo de busca de Nika. As invasões do doutor na mente de Anna os colocarão em uma situação tão íntima que a atração será a consequência menos perigosa de todas.

Eu poderia escrever incontáveis parágrafos descrevendo a genialidade de cada personagem e aspecto da trama mas minha intenção não é que você me odeie. As reviravoltas e surpresas  são tão constantes que seria um absurdo eu não comentá-las ou escrever algo curto e sem profundidade. Se você leu até aqui só tenho a te agradecer. Espero que tenha te convencido a se apaixonar por essa loucura que é Destino Mortal. Acho que deu para perceber minha empolgação com o livro, não é mesmo? Te desejo as mesmas sensações ao lê-lo.

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