[RESENHA] Uni-Duni-Tê - M. J. Arlidge

28 de nov de 2016
Uni-Duni-Tê - M. J. Arlidge
ISBN-10: 8501105260
Ano: 2016
Páginas: 322
Editora: Record
Classificação: 
Um assassino está à solta. Sua mente doentia criou um jogo macabro no qual duas pessoas são submetidas a uma situação extrema: viver ou morrer. Só um deverá sobreviver. Um jovem casal acorda sem saber onde está. Amy e Sam foram dopados, capturados, presos e privados de água e comida. E não há como escapar. De repente, um celular toca com uma mensagem que diz que no chão há uma arma, carregada com uma única bala. Juntos, eles precisam decidir quem morre e quem sobrevive. Em poucos dias, outros pares de vítimas são sequestrados e confrontados com esta terrível escolha. À frente da investigação está a detetive Helen Grace, que, na tentativa de descobrir a identidade desse misterioso e cruel serial killer, é obrigada a encarar seus próprios demônios.
Resenha: 
Não posso negar e minha estante é a prova de que meu gênero literário predileto é o suspense policial. A aflição que só uma investigação repleta de reviravoltas me proporciona é algo que me faz devorar histórias em poucas horas. Uni-duni-tê, de M.J. Arlidge, chegou aqui em casa de surpresa e não pude parar de lê-lo até desvendar todo o mistério. E olha, durante a primeira parte do livro jurei de pé junto que sabia o que estava acontecendo. Engano meu. Do meio até o desfecho incontáveis situações levam a história por um caminho que eu não imaginei. Nem de longe.

Temos uma policial que protagoniza a trama e se castiga à chicotadas todas as vezes em que o mundo parece pesar sob seus ombros. De início, imaginei que fosse algum tipo de sadismo sexual, mas não. Todo o ritual pelo qual Helen Grace se submete tem relação a algo mais dolorido. É assustador.

Temos narrações em primeira pessoa que diferem da feita em terceira (a que guia toda a história). Essa feita em primeira intercala alguns capítulos e nos leva ao passado de um psicopata. Ao passado de alguém que viu a mãe ser agredida incansavelmente até desmaiar, que foi estuprada pelo pai e seus amigos e que precisou ter coragem para se livrar de uma vez por todas de todo o sofrimento com o qual cresceu. Para o leitor é como se fosse o diário da mulher responsável pela onda de crimes bizarros que acontece em Uni-duni-tê.

E temos a trama principal, que muito se assemelha à serie de filmes Jogos Mortais, em que alguém precisa morrer ou matar para sobreviver.  Pessoas estão desaparecendo. Casais de namorados, sócios de grandes empresas, uma mãe e uma filha pobres. As vítimas são indivíduos que possuem um elo. Uma ligação forte, por mais que apenas profissional ou totalmente fraternal. De sangue. E o fim de tudo é ele mesmo. O sangue. As vítimas são sequestradas e levadas até locais distantes. Isolados. Onde a fuga não é uma opção, onde ninguém pode ouvir os gritos desesperados de socorro e a única opção é matar ou ser morto. A psicopata apresenta uma alternativa. A cela só será aberta para aquele que matar o companheiro. Uma arma repousa no chão com uma única bala.

A morte chegará de qualquer modo. Seja pela sede, pela inanição, pela loucura ou pelo medo. Já adianto que em todos os casos uma escolha é feita. A escolha. Mas é desconfortante observar que todos os que saíram vivos do joguinho acabam consumidos pela culpa. Enlouquecem. Dentro deles reverbera o barulho agudo de um tiro à queima-roupa. De alguém querido que se foi. Fora da cela o barulho que eles escutam não é o do estômago roncando de fome, mas sim o das lágrimas dos familiares que perderam um ente querido e que nada fez para merecer uma situação como essa.

O livro se desenvolve a partir da investigação comandada pela policial Helen Grace. Ela precisa encontrar a psicopata por trás de tudo isso ao mesmo tempo em que dá conta da mídia especulativa que atiça a opinião pública e o povo que já se movimenta acusador. Helen precisa ajudar um amigo de profissão que está se rendendo ao alcoolismo. Um amigo que pode ser o amor da sua vida ou alguém que está ajudando a assassina. Traição.

Cada caso de sequestro é super interessante com personagens distintos e donos de histórias de vida que só dificultam a busca por algo que as conecte. Uma garota deficiente cuidada pela mãe extremamente humilde, uma garota de programa que pagou uma fortuna para mudar de sexo e dois sócios que mal sabiam o sobrenome um do outro. A forma como tudo se encaixa é surpreendente. Helen Grace comanda a investigação de forma brilhante. Ela ajuda os outros para ajudar a si mesma, mas talvez o desfecho desses problemas não seja feliz. O que se faz aqui, paga-se amanhã. Não há erro sem consequência. Há um assassino à solta em busca de vingança. 

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