[Resenha] O Vale dos Mortos - Rodrigo De Oliveira

25 de mar de 2014
O Vale dos Mortos - Rodrigo De Oliveira
Editora: Faro Editorial
Ano: 2014
Páginas: 371
Classificação: 
Página do livro no Skoob

Com passagens por Brasília, Estados Unidos, China e França, O Vale dos Mortos baseia-se na profecia de que um planeta intruso ao sistema solar, ao raspar por nossa orbita, fatalmente desencadearia a transformação de grande parte da humanidade, não havendo lugar seguro, ambientes sem infecção, pois ela ocorreria simplesmente pela aproximação do astro. Pegos de surpresa, e tentando entender o que acontecia enquanto buscavam se salvar, um casal e seus filhos iniciam uma jornada para reestabelecer alguma condição de vida no que restou de seu próprio mundo. Uma história com muita ação, suspense, que vai deixar você eletrizado.
Resenha:
Um dos pontos que sempre observo em narrações nacionais é a ambientação, o cenário onde a estória se desenrola, geralmente é uma característica que acaba sendo mal explorada, o plano de fundo para todo o enredo na maioria das vezes é mal aprofundado. Em O Vale dos Mortos a estória de Rodrigo de Oliveira se passa em São José dos Campos, um município do interior de São Paulo, e felizmente o autor deu um verdadeiro show de início ao fim, a trama é detalhada e bem escrita. O clima apocalíptico é tão real em cada esquina que admito, tenho uma lista enorme de elogios para essa resenha.

De início temos uma introdução instigante abordando diversas teorias envolvendo o fim dos tempos, exemplos de conspirações religiosas, científicas, boatos e explicações que tentaram e tentam prever um evento envolvendo um cataclismo que reduza tudo ao pó, ao nada. O interessante é que logo aí já temos uma dica da possível causa de toda a epidemia. Um planeta imenso de nome Absinto em breve estará tão próximo a Terra que seria possível observá-lo a olho nu, o evento acaba movimentando todo o globo terrestre numa grande onda de excitação, mesmo que não de imediato. Não sabem eles que o visitante traz consigo surpresas...

Ao almoçarem em um shopping e presenciarem centenas de pessoas se transformarem em feras assassinas, o instinto de sobrevivência passa a guiar nossos protagonistas, o casal apaixonado disposto a manter seus filhos seguros, Ivan e Estela. Eles precisam de um lugar seguro com água e comida até entenderem a situação. E quando respostas surgem elas não prometem tranquilizá-los. O mundo inteiro fora atingido pela catástrofe, de uma hora para outra milhares de seres humanos perderam a consciência e acordaram transformados em máquinas mortíferas, isentas de remorso, medo ou dor. Mortos-vivos. Zumbis. Aos que sobreviveram até agora e não foram afetados, só resta a sorte. Tais monstros formam uma força incalculável, um verdadeiro império jamais visto. Não há nenhuma autoridade para tomar providências, não há aparente salvação ou saída.

A forma como a trama foi amarrada é fascinante, há capítulos iniciais que narram os ataques em diversos pontos do globo, Estados Unidos, China, França. Com o intuito claro de instalar o desespero em qualquer leitor, afinal, se não há esperança, qual rumo a estória irá tomar se até a maior potência militar da terra também fora destruída pela crise? A estória se desenvolve a partir disso, da busca por um local seguro até alguma saída possível. Preciso comentar o quão eletrizante vai ser? Estela e Ivan estabelecendo amizades com sobreviventes que surgem a cada momento desesperados por ajuda, vão trilhando um caminho surpreendente e repleto de perigos. Traições, mentiras, conflitos e um verdadeiro banho de sangue está presente nas páginas, afinal é um livro de zumbis, certo? Detalhes não são poupados.

O crescimento dos personagens é visível, Estela com toda a sua sensualidade torna-se uma exímia caçadora de zumbis. Ivan é um verdadeiro herói nato, sua gana em liderar é gritante e o desfecho do livro deixou uma pulga atrás da orelha que promete surpresas. Aliás, os capítulos finais levam a trama para um caminho que eu não esperava, há passagens que revelam possíveis ganchos incríveis para a estória. Mais que uma estória de zumbis, O Vale dos Mortos reforça valores indispensáveis: o amor ao próximo, o amor próprio. Até que ponto nossa índole nos leva em situações que exigem bem mais que a razão? Leitura mais que recomendada.

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